25 de julho de 2010

CAPETALISMO

Gente, não tem jeito! Eu gosto muito de assuntos de cunho sociológico. Quando rola a oportunidade de debater tais temas com amigos, eu fico até cansada e acabo desistindo de defender o meu ponto de vista. Apesar de eu ser partidária da crença de que não existe certo e errado, ou que pelo menos não somos sujeitos aptos para validá-los, ainda assim costumo deixar a pessoa pensar que está com a razão. Há engrenagens sociais muito mais fortes de validação de certas idéias equivocadas e os argumentos que dão vida as minhas idéias são ignoradas por estes meios, não tendo, portanto o mesmo “peso”. Já ouviram falar de senso comum? Ele não é natural, é fabricado por essas engrenagens...

Agora, indo direto ao assunto que me fez escrever este post (não desanime, continue lendo), eu vou falar do capitalismo. Apesar de eu gostar de chamá-lo “carinhosamente” de CAPETALISMO.

Bom, será mesmo este sistema socioeconômico um sistema democrático? Dizem que sim, e é o que a mídia costuma nos querer fazer convencer... e convence! Mas vamos nos propor uma reflexão mais profunda, sem usar como base apenas as belas propagandas como aquelas do Banco Real. Por falar em Banco Real, esta mesma empresa inventou uma dívida de quarenta e poucos mil reais para o meu noivo. É que o BR é muito humanitário, tadinho!

Mas vamos lá... toda hora fujo do foco!

É incontestável que este sistema se alimenta das desigualdades. Isto acontece das seguintes formas:
- O chamado Exército de Reserva é uma das formas de desigualdades que dá vida ao capitalismo. Exercito de Reserva significa nada menos que a grande parte desempregada da população. O capitalismo precisa deste desemprego para que ele regule o valor dos salários. A lógica é a seguinte: se houver mais emprego que trabalhadores, as pessoas poderão escolher a empresa que lhe oferecer o melhor salário. As empresas precisarão aumentar este valor para atrair os trabalhadores, isso coloca em risco o tamanho dos seus lucros. Lucro é o objetivo do capitalismo. Quanto mais lucro melhor!

Portanto, havendo desemprego, as pessoas não podem estar escolhendo muito e as pessoas se sujeitam a trabalhar até mesmo por um prato de comida fria. Desta forma, os patrões não precisam destinar uma grande porcentagem do lucro para pagar seus funcionários e, logo garante um lucro bem favorável.

Bom, já mostrei uma das formas de desigualdade, mas não para por aí, pois há quem diga que existem países em que isto não acontece... o capitalismo funciona bem, a população tem boa qualidade de vida!

É VERDADE, mas...

Vamos usar o exemplo de uma grande empresa: a Nike!

Na realidade, não sei a origem territorial da Nike, a qual país ela pertence... Até por que hoje se fala muito das multinacionais, mas creio eu que o processo de montagem/produção é multinacional, mas uma nação é a grande beneficiada disso. Concordam?
Provavelmente a Nike é uma empresa americana ou de algum destes paises de “primeiro mundo”, onde sua população vive sem ter de conviver com a miséria.

Corretíssimo! Realmente eles não convivem com a miséria, mas se aproveitam da miséria de algum lugar do mundo.

Usando a própria Nike como exemplo, o cineasta Michael Moorre produziu um documentário mostrando que parte do tênis Nike é produzido em algum país miserável (não me lembro qual), onde as pessoas trabalham quase em sistema de escravidão.

Ou seja, mesmo nos países onde o capitalismo “funciona”, ele só funciona graças as desigualdades que existem pelo mundo afora.

Acabei de lembrar outro exemplo: há pouco tempo deu no noticiário a grande quantidade de funcionários de uma sede da Aplle (ñ sei se é assim q escreve) a China que cometeram suicídio devido às péssimas condições de trabalho. Trabalhavam 12 horas por dia, de pé, todos os dias da semana e ganhavam muito mal por isso.

Mas eu lhe pergunto: Qual é o país de origem da Apple? Quem realmente fica com o lucro?
Daí vocês pensam e me respondam, mas com certeza não é a China.

“Ah, Vanessa... agora vou te pegar: como a China, um país dito socialista/comunista permite isso?”

Bom, eu não sou partidária de nada, sou só anticapitalista!

Bom, se você quiser insistir que o capitalismo é justo, já que ele permite uma mobilidade social, afinal, vejamos os casos dos jogadores de futebol e dos pagodeiros, né? Olha aí a indiscutível prova de justiça e democracia!!!

NÃO, NÃO, NÃO!

Em primeiro lugar, como diria uma colega de faculdade, esses são espermatozóides sociais: “acontece com um em um milhão”.

Ok, talvez um esforço sobrehumano leve aquele garotinho que vi na favela aqui perto de casa com catarrinho no nariz a ser um doutor algum dia. Pode ser...

Mas vamos discutir esta questão de forma lúcida.

“O capitalismo é justo porque defende o discurso meritocratico, ou seja, aquele que tiver mérito, independente do nível social, irá conseguir ser alguém na vida!”

Ai, que coisa mais linda e romântica, mas vamos continuar o papo...

O mérito é uma idéia bacana, nasce de um principio democrático, mas ele só será um meio de ascensão realmente justo, se ele existir dentro de uma sociedade sem profundas desigualdades.

E EU EXPLICO:

Bom, todos nós sabemos que o Brasil é um país com um grande abismo social, certo?

Neste nosso país também temos muitos concursos públicos, temos os exames como vestibulares, etc.

Para você passar o que você precisa provar? Ter mérito!

Agora pensemos naquele mesmo menininho de catarro no nariz prestando o vestibular UERJ e tendo como concorrente para a mesma vaga o rapazinho que se formou lá no São Bento... ainda assim você acha o mérito justo?

Seja realista: claro que não é!

Neste caso, o mérito não é só um meio sem justiça como, pelo contrário, só vem a reforçar tais injustiças, na medida em que coloca sujeitos com chances totalmente opostas, a concorrerem uma vaga, onde é exigido o mesmo potencial/preparo dos dois. Assim, o filho do riquinho vai conseguir passar, será doutor e o encatarradinho vai viver a vida limpando os catarrinhos dos seus filhos, que por sua vez, terão que mostrar todo o mérito que não possuem para serem alguém na vida e mais uma vez não conseguirão, dando continuidade ao vicioso ciclo, até que apareça um espermatozóide social na familia.

Por isso, digo e respito:

TENHO MUITO ORGULHO DE ESTUDAR NA UNIVERSIDADE QUE FOI PIONEIRA NA IMPLANTAÇÃO DO SISTEMA DE COTAS.

ISSO É RECONHECER AS DIFERENÇAS QUE EXISTEM NO NOSSO PAÍS!

Lógico que acho que o ideal é que se resolva o problema na base, dando a oportunidade de todos terem ensino de qualidade desde o início, mas enquanto isto não é possível, a cota é muito bem-vinda, mesmo apresentando falhas.

Afinal, eu conheço três pessoas que são cotistas na UERJ, mas somente uma delas realmente se encaixa nas exigências. Afinal, em qualquer categoria (racial, rede publica, negros...) é necessário estar abaixo de determinada renda. Eu que realmente me encaixo nas exigências, não consegui por ter vacilado na apresentação de um documentozinho. Ou seja, o sistema ainda falho, mas não deixa de ser uma grande iniciativa!

E agora eu pergunto: to errada quando chamo este sistema de CAPETALISMO???

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