Vanessa Ribeiro*
*graduando curso de Pedagogia.UERJ. vanribeiro1984@hotmail.com
Em “Para Quem é o Discurso Pedagógico”, a autora Eni Puccinelli Orlandi, ao concordar com Marilena Chauí, diz que professores e alunos estão excluídos do discurso educacional. Partindo desse pressuposto, cabem-nos as seguintes perguntas: Para quem serve este discurso? E para que?
Antes, é necessário analisarmos como se dá esta exclusão dos dois principais atores do processo educativo: professores e alunos.
A exclusão dos docentes do Discurso Educacional.
O discurso é um ato da linguagem. Linguagem, segundo a perspectiva da autora, é o poder de decidir, no entanto, o professor está muito à margem deste processo de decisão, na medida em que todo o conteúdo eleito para ser repassado aos alunos, já chega definido em suas mãos. Além disso, a quantidade de informações que devem ser transmitidas não permite que o docente as abordem com profundidade, com o intuito de gerar uma aprendizagem significativa, que vá além de um simples ato de decorar. Como conseqüência desta situação, a possibilidade de gerar nos estudantes um caráter crítico e libertador é descartada, pois os conteúdos acabam ganhando um patamar mais importante no processo de aprendizagem.
A exclusão dos discentes do Discurso Educacional.
Percebe-se que o importante é que o aluno absorva tudo o que lhe fora ditado. Ele aprende uma série de informações. Para que? Para “ser alguém na vida”, mas, na nossa sociedade, ser este alguém significa galgar um bom status social. Sendo assim, aquele que seguir à risca tudo o que a escola lhe determinar, certamente este alcançará a posição almejada. No entanto, a escola sabe – porém ignora – que nem todos chegarão a este destino, mesmo que 100% deles se dediquem para tal. Apenas uma ínfima parcela dos estudantes se “tornam alguém”; a outra continua sem a oportunidade que nem a escola lhe proporcionou de se tornar este alguém também, pois esta (a escola) se preocupou apenas em preencher o cérebro de seus alunos com conteúdos didáticos, esquecendo que para torná-los alguém, é necessário também torná-los sujeitos com mente crítica e alma livre. Sem isso, o que eles são? São algo. Portanto, a escola é produtora de poucos “alguém” e muitos “algo”.
Para Quem Serve o Discurso Pedagógico? Para Que?
O Discurso Pedagógico serve para beneficiar aqueles que estão no lado favorável do sistema social em que vivemos. Quem está deste lado? Encontra-se neste pólo os poucos “alguém” que a escola produziu, enquanto no outro extremo residem os indivíduos que foram “coisificados” por esta configuração, e permanecem submissos a ela justamente porque foram transformados em “algo”, que desde os tempos escolares só aprendeu a seguir normas e informações que lhe foram ditadas autoritariamente, não os transformando em sujeitos críticos.
As idéias aqui expostas, portanto, derrubam todas as idéias que tentam propagar a respeito da escola. Se a educação eleva o homem, são poucos deles. Se ela gera igualdade, só se for no sentido de manter as gerações estáticas socialmente, igualmente às anteriores. Assim sendo, a escola é a grande máquina conservadora da ordem social.
Como Introduzir Professores e Alunos no Discurso Educacional.
Está claro que a escola tem o papel de manter o feitio da sociedade e, na verdade, ela é vitimizada por esta configuração, que possui sua origem em séculos remotos. No entanto, se ela é quem tem o poder de manter a sociedade como ela é, também é ela que tem a possibilidade de transformá-la. Para isso, professores e alunos devem ser incluídos em seu discurso. Com esta inclusão, as angústias dos estudantes serão ouvidas e então o professor terá a liberdade de procurar meio de resolvê-los, abordando também na sala de aula questões que são inerentes à sua realidade, valorizando o aluno como sujeito, que possui vontades e idéias e não algo que está ali esperando a sua vez de se tornar alguém. É necessário já enxergá-lo como tal. Quando assim for, o aluno também fará do professor muito mais do que um sujeito que está ali para transmitir algo preestabelecido, então ele perderá sua ocupação mecânica, já não estando mais submetido apenas ao discurso pedagógico, mas sim às necessidades de seus alunos. É para isso que a escola deve servir.
BIBLIOGRAFIA
PUCCINELLI, Eni. A Linguagem e Seu Fundamento – As Formas do Discurso.
A Maquinaria Escolar.
Marcadores: Discurso Pedagógico, Educação

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