23 de março de 2008

Sei lá!

AVALIAÇÃO


Os processos de avaliação aos quais fui submetida em meu processo escolar foram basicamente as tradicionais provas. Lembro-me muito bem dos enormes questionários que minha mãe me perguntava nas vésperas de avaliações, e da enorme dificuldade que eu tinha em decorar aquilo tudo, o que fazia minha mãe sair do sério e explodir em gritos raivosos. Essa situação sempre me deixou muito temerosa por resultados ruins, mas, apesar disso, nunca fui muito de apelar para as famosas e salvadoras “colas”, exceto em uma única situação. Lembro-me como hoje da ocasião: era teste de Estudos Sociais, na 4ª série, onde caíra apenas questões relacionadas a estados, suas capitais e siglas. Como sempre, eu estava nervosa, pois eu não havia decorado nada. Foi então que, pela primeira vez, resolvi “burlar” o processo avaliativo. Em uma folha de caderno anotei todas as respostas, deixando-a em posição estratégica, onde eu a veria, mas a professora não, só que o meu plano falhou quando uma “colega” percebeu meu “golpe” e o contou para a professora. Foi apavorante ver a expressão enfurecida da “mestra” vindo em direção à minha carteira para, em seguida, desmascarar-me para toda a turma, deixando-me em uma situação extremamente vexatória e assim utilizar-me como o exemplo à não ser seguido pelos demais. Eu não consegui ter a menor reação àquela situação, mas hoje posso imaginar o quanto o meu rosto denunciava vergonha e medo, já que eu me senti extremamente desprotegida naquele momento, onde todos, guiados pelo que a professora dizia, me olharam como algo muito ruim. Minha vontade era sair correndo para chorar nos braços da minha mãe, mas tive que fazer a prova na carteira mais próxima da professora, como um meio de punição à terrível e abominável atitude que cometi.
Hoje percebo que as provas nunca cumpriram seu objetivo, que é gerar conhecimento, já que para realizarmos uma avaliação precisamos estudar. O que essas avaliações realmente provocaram nas escolas por onde passei sempre foram situações de constrangimento e uma competição entre os alunos da classe. Acredito que a competição pode ser algo saudável e por isso pode ser estimulada, mas nem sempre ela ocorre dessa forma. Na maioria das vezes a “nota azul” é interpretada pelo aluno como um motivo para humilhar o “coleguinha” da “nota vermelha”, mas o pior é quando o próprio professor assume essa postura. Lembro-me que no primário poucas vezes alguém tirava nota vermelha, então a disputava ficava entre aqueles que tiravam 9 e 7. Eu sempre fui uma das que tiravam as notas mais baixas, por isso, lembro-me bem o quanto me sentia humilhada quando a professora escolhia o momento da chamada para anunciar as notas. Assim toda a turma conhecia o resultado um do outro, e todas as notas despertavam reações na turma. Sendo assim, sempre sobravam para mim os olhares debochados com o intuito de me subestimarem. Até hoje me pergunto se a professora não percebia essas situações ou se esse era o objetivo dela. Se for, chego a triste conclusão de que tais humilhações nunca me fizeram lutar para superá-las. Pelo contrário, a escola pra mim foi um local que conseguiu convencer-me da minha burrice. Hoje, por ser adulta, entendo que nunca fui burra, mas essa consciência não é suficiente para que eu abandone a grande insegurança e o temor que herdei do meu passado escolar quando preciso encarar qualquer situação onde me sinto avaliada diante de outras pessoas.


Vanessa Ribeiro

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