O conhecimento deveria ser estimulado por outras causas e ser causado por outros estímulos
O que é mais importante do que ser feliz? Eu acho que nada, mas fico infeliz de ter consciência que a felicidade só é possível se você submeter-se a uma série de processos que a sociedade criou para que você possa alcançá-la (a felicidade).Em primeiro lugar você deve aprender a ler e escrever, pois como um analfabeto vai conseguir se sentir realizado, se a todo o momento ele se depara com letras e necessita delas para se localizar, para fazer uma compra, para entender uma notícia?... Fora o preconceito e a falta de auto-estima que a falta dessa “habilidade” gera no indivíduo!
Mas não para por aí... mesmo depois de tornar-se um sujeito letrado, isso ainda não é o suficiente para alcançar a tão sonhada felicidade! Você precisa ir além. Precisa de pelo menos uma formação universitária que lhe produza os conhecimentos exigidos para que você tenha a chance de se situar no lado favorável do capitalismo.
Vamos logo aonde eu quero chegar: o conhecimento só ganha importância por causa do sistema em que estamos inseridos, ou seja, precisamos dele por duas razões:
1º como instrumento de defesa, pois o conhecimento lhe torna menos ingênuo, principalmente em relação à política, você aprende a fazer escolhas e tomar atitudes baseadas no seu conhecimento, na sua opinião... Ninguém tem o poder de fazer sua cabeça!
2º para conseguir um status social, pois com ele podemos alcançar uma boa posição profissional e, conseqüentemente, financeira.
Conclusão: o sistema social em que estamos implantados gera a necessidade do absorvermos uma série de conhecimentos patéticos que os homens criaram, pois ele é o nosso escudo protetor, a nossa arma, o guia que nos matem na posição social que nos convém.
Se o sistema fosse outro, creio que não necessitaríamos de uma série de saberes que julgam essenciais. Não to dizendo que todos eles são descartáveis. Claro que não! A História, por exemplo, é um conhecimento de suma importância para os pensantes da sociedade, mas vamos a um outro ponto que me fez escrever esse texto:
O que me irrita mesmo nisso tudo são as pessoas que desdenham de outras “intelectualmente desfavorecidas”. O diálogo é mais ou menos assim: “Você já leu tal coisa ou tal autor, né?” – mas nessa frase o intelectual insere um tom que já deixa o outro com medo (ou vergonha) de responder negativamente – e quando o sujeito diz que “NÃO”, o interrogador faz cara de horror como se aquela resposta tivesse feito nascer em você chifres diabólicos. Você se sente o merda-mor, porque você nunca nem tinha ouvido falar no nome do tal pensador que o cara citou, e aí descobrimos que o CONHECIMENTO ganha mais uma função social: o de subestimar quem não o possui. rs
Não to defendendo que todos devamos ser burros e alienados, mas não existe burrice maior que se auto-atribuir um poder excepcional pelo simples fato de você ter mais conhecimento que alguém. Acho que o que torna alguém poderoso é a capacidade que ela tem de ser feliz, mesmo que ela tenha a triste consciência que precisa do conhecimento para isso... o conhecimento deveria ser buscado de modo que proporcionasse prazer, e não por necessidade ou obrigação. Não to conseguindo ser clara na minha idéia, mas o que quero dizer é que lamento a função que o SABER carrega consigo e queixo a posição que os SABIDÕES tomam diante de seus opostos.
O conhecimento deveria ser estimulado por outras causas (prazer, por exemplo) e ser causado por outros estímulos (que não só o comercial).
Ah! E também deveria deixar de ser instrumento para uns diminuírem os outros, pois o mais importante não é ser cheio de conhecimento, mas sim cheio de felicidade, mesmo que atualmente uma coisa careça da outra...
Marcadores: conhecimento, sabedoria, sistema

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