Tinha que ser com a Vanessa!!!
Cara, tem coisas que só acontecem comigo!!! Eu não consigo encontrar respostas que expliquem a razão de eu atrair tantos acontecimentos bizarros pro meu dia-a-dia. Uma pena que eu não os venha registrando aqui antes...Bom, mas vamos aos fatos de hoje:
saí do meu trabalho por volta das 22 hs, mas isso não quer dizer que a "batalha" do dia havia acabado. O pior ainda estava por vir, afinal, pegar "kombi" não é uma tarefa simples, principalmente ali em frente ao shopping onde trabalho, pois tenho que passar por vários obstáculos, lê-se "trombadinhas". Talvez um "não" e uma cara amarrada resolveriam o problema, mas eu com essa minha mania de querer ser canonizada pelo Papa (só pode!) fico "dizimando" e fazendo caridade por aí. Bem, eu tinha na bolsa apenas R$ 12,00 - uma nota de R$ 2,00 e uma de R$ 10,00, mas isso até passar pelo primeiro menino de rua: sentado sobre o meio fio com vestes sujas e usando a blusa de modo que cobria suas pernas (pensem no Ananias de "Os Trapalões", se sua memória for capaz de alcançar remota lembrança) e segurando em suas mãos um copo descartável com umas duas moedas dentro, a criatura disse com aquela voz sofrida, que aliás todos eles fazem igualzinho, o que me faz desconfiar que exista um curso profissionalizante para ser trombadinha, só pode!!! Depois do "olhar fatal" eles te chamam de "tia" numa entonação com um misto de inocência e cinismo e finaliza com o pedido: "me dá um trocado aí". Pronto: eis um negócio lucrativo, ainda mais se eles cruzarem com a trouxa da Vanessa várias vezes ao dia! Tá, peguei o trocado que tinha (os dois reais) e dei pro moleque. Continuei no meu caminho, parei no ponto para esperar a bendita Kombi que me levaria para casa. Os minutos foram passando e nada... passaram mais 10 minutos e nada ainda... até que de repente eu avistei adivinhem o quê? Não, não foi a Kombi, pois minha "sorte" não permitiria que ela chegasse em apenas meia hora, isso seria a glória!!! Eu avistei foram os meus colegas de trabalho (que saem depois de mim) embasbacados de eu ainda estar ali esperando minha condução. Ficamos todos juntos, cada um esperando seu ônibus, e claro que todos seguiram seus caminhos e eu ali permaneci.
Eram mais de 23 hs quando decidi andar para um ponto lá na frente para não correr o risco de pegar a "kombi" cheia. Chegando lá eis que surge um outro adorável menino de rua me pedindo o que??? Para massagear as minhas costas doloridas e meus pés cansados é que não era, ele queria o meu dinheiro, apenas o meu suado dinheiro. Fiquei aliviada de contar com uma justificativa para negar o pedido, afinal, eu não tinha trocado, apenas uma nota de R$ 10,00 que garantiria o meu retorno para o meu lar doce lá, então com toda a minha peculiar doçura, com todo meu sorriso angelical, eu disse mostrando a nota: "querido, desculpe-me, mas eu não tenho trocado." Como esses seres não estão acostumado a lidar com gente educada como eu, que dá atenção, que pergunta seus nomes, que fala "fique com Deus", eles não conseguem desistir fácil, então, o menino começou a ter idéias mirabolantes para trocar o meu dinheiro. Ficamos ali tanto tempo conversando que quando percebi ele já estava debaixo do meu guarda-chuva, mas eu dizia a ele que não sairia dali pra trocar, pois a kombi poderia passar e eu perdê-la. Foi então que ele teve uma idéia que rachou a minha cara e saiu executando a mesma sem atender o meu pedido desesperado: "não, não faça isso, por favor!!!", e então ele disse: "pô, tia, é melhor pedir do que roubar". O menino simplesmente parou um ônibus. Sim, ele deu sinal, só que o ônibus parou uns 100 m a frente. Cara, o neguinho parecia maratonista de olimpíadas, chegou lá num segundo e então, num momento de ilusão achei que ele ficaria no ônibus pegando a carona. Que tolinha eu! Lá veio ele descendo do ônibus me gritando: "vem tia, o moço vai trocar". Cara, eu juro que tive tanta vontade de socar aquele pivete, mas fui lá eu, com a cara mais rachada do mundo em direção ao ônibus já imaginando o esporro que eu levaria do motorista ou dos passageiros que ficaram esperando. Entrei no ônibus toda sem graça: “ai, moço, eu não vou pegar o ônibus, é que o menino só quer que eu troque o dinheiro pra eu dar um trocado a ele”. Um passageiro com quase 2 metros de altura, todo bombado e com tatuagem por todo o corpo se ofereceu pra ir me defender do pivetinho... Hahahahahahahahahaha. Consegui amansar o cara, troquei o dinheiro e desci do ônibus. Quando olhei pro mesmo, todos os passageiros disputavam a tapa o lugar na janela para entenderem o que se passou. Olhavam pra mim assustados sem entender nada. Dei R$ 2,00 pro menino, então ele virou as costas sem nem dizer: “obrigada, trouxa”. Cara, senti vontade de chegar em casa e rasgar meu mini pôster do Che Guevara (rs), mas não... pensei no azul, recitei uns mantras, lembrei de todas as teorias sociológicas que defendo e voltei para o meu estado normal. Imediatamente voltei a ficar puta, pois me dei conta, devido ao “modelito” que o peste vestia, que aquele sujeito era o mesmo a quem eu havia dado 2.00 uma hora antes! Que ódiooooooooooo. Agora já era. Estava só com R$ 8,00. O que? Eu disse 8,00? Minha sorte permite por acaso que eu fique com um rio de dinheiro desses em minhas mãos??? Jamais!!! Foi então que me dei conta que o ridículo do motorista havia me dado o troco errado. Nas minhas mãos havia apenas 6,00. E “M” da Kombi??? Que nada! Quer saber, eu já havia sofrido demais até ali. Desisti da Kombi e fui pegar o táxi, afinal eu mereço conforto, paz e ar condicionado!!! Liguei pro meu pai: “pai me espera na porta com um trocado porque vou pegar táxi e eu não tenho dinheiro suficiente porque a reunião da associação de trombadinhas hoje foi aqui em frente ao shopping”. Fui amarradona em direção ao primeiro táxi que avistei, mas vocês pensam que o azar me abandonaria tão cedo??? Na-na-ni-na-não!!! Pra começar o taxista vestia algo que parecia pano de chão, pensei tratar-se de outro trombadinha, mas não, ele era flamenguista, daí a razão dele usar aquela blusa horrorosa. Hehehehe. To zoando! Nada contra o flamengo, mas é que eu queria que o botafogo ganhasse... ta, entrei no táxi e o cara já estava puto da vida porque havia sido multado. Como se aturar as lamentações do infeliz não fosse o suficiente, ele ainda comia um espetinho enfarofado!!! Conclusão: a farofa voava toda na minha bela face cada vez que ele se virava pra mim para esbravejar da multa que sofrera. Vocês pensam que minha noite de terror acaba por aí??? É claro que não, mas aparentemente o cara foi se acalmando e começamos a conversar saudavelmente... falei até onde eu trabalhava, para minutos depois perceber a burrice que cometi!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! O cara começou com uns papos tortos dizendo que o destino que me colocou no caminho dele. Putz! Eu sei que sou azarada, mas o destino não pode ser tão sacana assim comigo. Peralá! Eu sou tão boa, gasto metade do meu salário com a população de rua para no fim o destino me recompensar com um velhote careca com cara de maluco e que ainda por cima é flamenguista!?!?! Que destino é esse??? Não, não, não!!! Isso não é coisa do destino, meu destino não é maléfico assim. Isso é culpa do motorista do 654 e do trombadinha maldito!!! Cara, são nessas horas que percebo o quanto sou corajosa... o taxista taradão ameaçou parar o táxi em vários lugares, sinceramente, tive que ter muita astúcia para conseguir fazê-lo me levar pra casa, mesmo que ele tenha levado o dobro de tempo que levaria... o cara andou muito lentamente pra poder ficar conversando comigo... PQP!!! Se eu fosse a pé eu tinha chegado antes e ainda economizaria, se bem que com o tanto de mendigo que eu encontraria no caminho, era capaz de eu voltar pra casa endividada, mane!
Bom, cheguei em casa e pensam que o pesadelo acabou??? O taxista taradão sabe onde eu moro e trabalho, portanto, aguardem os próximo capítulos!!!
Deus me proteja!
